É difícil começar a escrever sobre algo que foi planejado há tanto tempo. Tudo começou com uma historinha curiosa e tímida, coisa de criança.Meu irmão ao saber que uma amiguinha da escola iria viajar à Disney, pediu para ela trazer-lhe um chapéu do personagem Pateta. Sim, aquele com o focinho e as orelhas caídas. Por alguma desventura, talvez felizmente, a menina não trouxe o tal do "boné" e meu irmão ressentido contou para minha mãe o ocorrido e ela em sua benevolência materna disse:
"- Meu filho não se preocupe, você terá o chapéu. Você vestirá o chapéu. Você se divertirá na Disney. E ainda terá uma babá."
Os fatos decorrentes a partir desse momento ficará para sempre em minha memória, pelo simples fato de eu ter me tornado a babá do meu irmão. E hoje, depois de dois ou três anos consigo entender e perceber toda essa amplitude. Babá mesmo. Daquelas que vão ter que tomar conta. Dar de comer, banho, trocar fralda etc etc etc. A magnitude desse poder todo veio à tona quando percebi que sem mim, modéstia a parte, por um lado essa viagem não aconteceria.
E não é por conta da grana, ou da preguiça ou da falta de sensibilidade com algumas coisas.
Se eu não agitasse, se eu não corresse atrás de passaporte e o tão temido visto, talvez não estaria aqui agora, com quase toda a viagem marcada. Complicado dizer isso quando se têm familiares que não entendem todo esse esforço. Mas enfim, consigo entender o outro lado, o do esforço deles de juntar todo o dinheiro necessário. Consigo enxergar todo o sacrifício feito para acontecer essa viagem em vias monetárias, físicas e psicológicas.
Hoje talvez entenda que tudo foi equilibrado. O incentivo na hora certa e a verba dificilmente obtida de um lado e do outro o meu "correr atrás" de documentações, informações, planos e pacotes. Fomos mesmo um time, mas só consigo enxergar isso agora. Portanto, devo um pedido de desculpas a todos pelo meu estresse com tudo o que concerne à questão do visto norte-americano.
Agora, com as devidas explicações e desculpas assinadas, venho aqui informar que este blog agora, terá como caminho inevitável contar todas as minhas angústias, medos, aflições, ansiedades, nervosismos, alegrias, emoções, choros e risadas que acontecerão antes e durante essa viagem. Esse espaço além de ser um direito ao grito de mundo, de ser-estar, de sentir-protagonizar, pode ser também um grito do alto de uma torre. A mais alta que houver. Porque até no mais doce Castelo e na maior queda de uma montanha-russa, há o direito ao grito!